Sprezzatura !!!!!


O que diabos esse homem está fazendo com a sua gravata? Ele se vestiu com muita pressa? O que aconteceu com o colarinho saindo pra fora? Se segure com a suposição de que ele simplesmente não sabe se vestir. Esses pontos que você critica podem, na verdade, ser expressões de “sprezzatura”, a arte de se vestir sem arte. Pelo menos aparentemente.

Mas por que alguém tentaria fazer isso, em uma cultura cheia de regras em relação a roupas? A sprezzatura traz um toque de rebeldia, é um truque de estilo sem ser revolucionário. É também um meio de sinalizar sua individualidade, mesmo que você use roupas convencionais. Acima de tudo, aqueles que conseguem ter sprezzatura, e tentarem fazer com que seja uma linha tênue entre o estilo certinho e o estilo despojado, ganham o título de serem cool. Sprezzatura é uma maneira de se vestir que transgride a maneira aceita de se vestir, mas ainda assim aderindo às suas roupas típicas.

Se uma gravata é normalmente usada de modo que o lado estreito fique atrás da parte mais larga, é sprezzatura usá-la ao contrário. Se o final de um cinto é geralmente dobrado em uma laçada, é sprezzatura deixá-lo pendurado, mas você precisa encontrar a sua própria maneira de se distinguir.

A ideia de sprezzatura, no entanto, antecede o uso comum da palavra “cool” por cerca de 400 anos. Foi em 1528 que Baldassare Castiglione cunhou a palavra em seu livro “O Cortesão”, efetivamente um livro de autoajuda para aqueles que querem subir na vida, seguindo os caprichos da aristocracia. O livro foi um best-seller, um blockbuster, na sua época. Em termos de estilo, sprezzatura sugeria o tipo de homem que parecia elegante sem esforço, embora nunca excessivamente formal. A palavra-chave era “sem esforço”. Tudo parecia fácil e nada forçado, como se o homem em questão simplesmente parecesse estar vestido sem se importar com modismos, mais ou menos como no caso das mulheres, que passam horas no salão para parecer que acabaram de sair de casa.

Enquanto os ingleses tentaram este estilo, já no século 19, foram os italianos que mais aproveitaram. “Historicamente esta expressão é fundamental para a ideia de estilo da Itália”, observa Alessandro Sartori, diretor artístico da Ermenegildo Zegna.  “Você vê isso na maneira de misturar roupas formais com roupas esportivas, na brincadeira com texturas, tecidos sem brilho ao lado de texturas mais brilhantes. Há sempre uma maneira de se vestir muito italiana que se encaixa no estereótipo.

O italiano Gianni Agnelli, da família por trás da dinastia de fabricação de carros da Fiat, também encarnou a sprezzatura para o século XX. Ele usava a gola desabotoada, o relógio por cima do punho da camisa, ele sempre usava a gravata um pouco fora do centro e um pouco desfeita, seus ternos trespassados sempre desabotoados (um pecado mortal na alfaiataria), às vezes ele usava chinelos ou botas de caminhada com a alfaiataria, ainda que amassada, perfeitamente amassada. Ele quebrou as expectativas habituais de moda e não se preocupou com isso.

É como eu sempre digo, dê a um italiano as mesmas roupas que se usam na Alemanha ou no Reino Unido, por exemplo, e ele ainda encontrará um toque diferente. É por isso que você pode ir a qualquer lugar do mundo e perceber um homem italiano de longe.  A aparência geral é um pouco “acabou de sair da cama”, embora uma cama de um hotel cinco estrelas na Costa Amalfitana, sem nada para fazer, apenas absorver os olhares de admiração.

Sprezzatura é dominar completa e perfeitamente a arte de se relacionar com as pessoas, de decorar a casa ou de vestir-se bem, de forma que essas difíceis tarefas pareçam completamente sem esforço, planejamento ou preocupação, o que faz com que o resto do mundo te odeie por conta disso. Sem esforço, apesar de todos os livros de etiqueta que são lidos, a pesquisa e escolha cuidadosa do look, o tempo passado em frente ao espelho arrumando o cabelo e a aparente naturalidade ou desinteresse no comportamento quando sua ambição tem um alvo bem específico. Por isso não se engane: o objetivo desta indiferença toda é sempre chamar a atenção, se destacar, ser percebido, reconhecido, admirado e conquistar o outro.

Som de Robin Schulz – Sugar

Veja um pouco do Pitti Uomo, em Florença !!!!

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